domingo, 13 de julho de 2008

Tudo e Nada


Se eu fosse uma filósofa diria que nada é nada mas que nunca é nada e é sempre alguma coisa, se eu fosse uma física diria que se nada é alguma coisa, então nada pode medir-se e não é nada, se eu fosse uma matemática diria que nada é nada, e se é nada é zero.
Já que não sou filósofa, física e muito menos matemática, não sei o que é nada, mas sei que nada é, sem dúvida, alguma coisa. Só pode ser alguma coisa, dado que sinto nada a percorrer-me as veias, sinto nada a cair-me pelos olhos e a rolar-me pela cara, as minhas pernas ficam fracas e os dedos dormentes por nada, a minha face fica branca e fria de nada e, dentro do peito, o meu coração ameaça deixar de bater ao sentir o nada.
Ao mesmo tempo, sei que nada é alguma coisa quando nada me faz ficar sem fôlego. Quando nada cora a minha cara e me enche de calor, quando o meu coração bate tão depressa como o bater de um tambor, por nada.
Sei, então, que nada é tudo e tudo é nada, e que tu és o meu tudo, que tu és o meu nada.

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